A Busca pela Validação
- Amanda Montagner

- 29 de mai. de 2020
- 7 min de leitura
Estamos constantemente buscando validações, sejam elas da nossa família, amigos ou da sociedade em geral. Procuramos essa aprovação na maior parte das decisões que fazemos na nossa vida... sejam elas simples, como a roupa que iremos usar para um evento ou a foto que iremos postar nas redes socais; ou mais complexas, como nossa profissão, ou até os parceiros que escolhemos para vida. Precisamos sentir que o mundo externo está validando essas escolhas... seja para saber se estamos no caminho certo ou até mesmo para evitarmos sermos julgados. Quem nunca mostrou a foto do ficante, mas antes mesmo de ver a reação do amigo, larga a frase: “Ele(a) é mais bonita pessoalmente.”
Esse exemplinho superficial é só para mostrar que ficamos justificando nossas escolhas sem perceber... talvez seja para ganhar a validação mais facilmente ou só por um mecanismo de defesa automático para evitarmos críticas.

Eu por exemplo, estava adiando o compartilhamento desse site nas redes sociais fazia mais de 2 semanas. O medo da rejeição, do ser ignorado, da crítica sempre vinha à tona, gerando dúvidas e me travando a seguir adiante. Finalmente criei coragem (pois recebi algumas validações), mesmo assim, sempre que tinha (tenho) oportunidade eu ainda me justifico, antes mesmo de receber qualquer comentário.
Mas aí vem os questionamentos... Por que será que sentimos isso? Qual a vantagem de receber essa tal de validação? Ou melhor, devemos ser independentes a ponto nos aceitar e ignorar todo resto ou realmente precisamos dessas validações em nossas vidas?
Eu acredito que por mais evoluídos que sejamos, a maioria de nós ainda precisa de validação, aprovação e apoio para dar o passo seguinte. Seja na vida profissional, amorosa ou pessoal, e isso não vem de agora, essa necessidade vem desde a nossa origem, gerando impactos positivos ou negativos em nossas vidas.
Pelo lado bom, quando essa validação ocorre, ela gera uma motivação como nada igual. Amamos ser aceitos pelos outros. Se alguém nos diz que nosso trabalho, projeto, bolo, maquiagem, foto etc., está bom, ficamos felizes e empolgados a fazer mais, fazer de novo. Vocês não fazem ideia da felicidade que fiquei em receber mensagens de apoio, ver curtidas e compartilhamentos desse site. Essa alegria é muito boa, e isso explica um pouco a vontade que temos de receber validações... ela faz nos sentirmos bem com nossas decisões ou ações.
Mas pelo outro lado, se não recebemos essas validações, muitas vezes ficamos perdidos. Não sabemos se as pessoas ao nosso redor não gostaram do nosso trabalho ou estão apenas distraídos ou ocupados para comentar algo. Só que isso acaba afetando nossa autoconfiança. Por mais que não percebamos, a falta de validação acaba nos travando um pouco, criando insegurança e medo. E esse medo de falhar, de não ser bom suficiente, de ser julgado pelos outros nos impede de viver livremente...genuinamente.
E indo mais a fundo, eu nunca tinha percebido a importância da validação até um dia que tive uma conversa com meu amigo lá na Malásia. Por sermos colegas de MBA, ele sempre questionava o porquê de eu não participar nas discussões da sala de aula, ou das vezes que eu achava que não era boa suficiente, ou até mesmo a vergonha que tinha de me expor. A minha resposta era sempre um “Não sei... Acho que é da minha personalidade...Tenho vergonha de falar algo errado ou não ser boa nisso... blabla.” Na verdade, eu não tinha autoconfiança suficiente para me sentir segura, eu arriscava... tentava sempre melhorar e fazer algo novo, mas sempre com o corpo todo tremendo por dentro.
Esse meu amigo era completamente o contrário; ele sempre participava de tudo (e era ótimo em tudo) e esbanjava confiança. Era o primeiro a levantar a mão... o primeiro a tentar um novo esporte ou qualquer outra atividade.
Durante a conversa, começamos a discutir essas nossas diferenças. Ele me explicou que desenvolveu essa confiança desde pequeno pois seus pais sempre o incentivaram e validaram tudo que ele fazia...era no esporte, na aula, enfim, no dia a dia. Essa constante validação fez com que ele acreditasse muito no que ele era capaz... sem medo.
Isso me fez refletir sobre a nossa cultura, e na minha visão, eu não vejo essa constante validação vinda dos pais. Eu até falava brincando com meus amigos: os pais brasileiros adooooram rasgar uma boca reclamando ou falando das fraquezas dos filhos para os outros (eles também são muito bonzinhos e fazem todas as vontades, apesar de reclamarem), enfim, não incentivam ou elogiam muito. Enquanto os pais americanos estão lá aplaudindo seus filhos em pé, validando cada passo que os filhos dão.
Claro que não podemos generalizar, e isso foi apenas uma observação pessoal. Mas essa é uma das características da cultura americana que eu admiro bastante (claro que também tem um lado negativo, mas não vamos debater hoje). E também não estou desmerecendo a nossa cultura, até porque eu sou brasileira com muito orgulho. Mas apesar de amar muito minha criação, eu acho que a falta de validação ao longo da minha vida não me fez criar toda a segurança e confiança que esse meu amigo tem.
Claro que isso pode ter a ver com personalidade e outros fatores, mas acho válido levantar esse assunto... e entender melhor essa relação entre validação e autoconfiança.
Eu comecei a crer que receber constantemente validações ao longo da vida pode impactar muito na construção dessa autoconfiança. (Apesar de autoconfiança ser ótimo, também não vamos abusar pois as vezes vira arrogância sem querer.) Enfim, acredito que precisamos desses empurrãozinhos externos pois quando nossa autoconfiança falha... buscamos na validação a certeza de que somos capazes de algo. E por isso que gostaria de ressaltar a importância de incentivar o outro, mesmo que seja com um grito durante um jogo, um aplauso ou um comentário...incentive, valide. Isso faz a diferença.
E faz a diferença até para os ratos! Vou explicar melhor com um experimento realizado...

O experimento começa quando Bob, cientista e psicólogo, entra no laboratório, de noite, quando todos já haviam saído. Ele então decidiu mudar as etiquetas das gaiolas dos ratos: algumas gaiolas ele colocou plaquinhas dizendo que os ratos eram incrivelmente inteligentes, e em outras que os ratos eram super burros. Porém, todos os ratos eram iguais... todos ratos eram normais. No dia seguinte, o cientista trouxe sua equipe e a dividiu, orientando um time para cuidar dos ratos “espertos” e outra para cuidar dos “burros”. Após uma semana, os ratos tratados como super dotados, apresentaram uma performance quase 2 vezes melhor do que os ratos supostamente burros.
Sabemos que os ratos eram iguais... então, qual a explicação disso?
A resposta foi: mesmo que involuntariamente, os cientistas tinham mais expectativas e tratavam com mais carinho os ratos especiais, enquanto os desprivilegiados eram tratados com certo desprezo. Esse carinho era transmitido em forma de validações; os cientistas acreditavam que os ratinhos eram capazes e os encorajavam. Enquanto o oposto acontecia com os outros ratos, pela falta de validação e da crença de que seriam capazes, a performance dos ratinhos foi cada vez pior.
O resultado desse experimento valida a hipótese de que precisamos ser validados e incentivados, isso se aplica em outros campos, como na sala de aula, em casa, ou sei lá, em um treinamento militar. Por exemplo, alunos que são favoritos dos professores, acabam performando melhor, comparado com aqueles que o professor ignora. Quando há pessoas que acreditam, têm fé e validam nossas atitudes, nos sentimos motivados para darmos o nosso melhor. Gostamos de ter um pai/mãe/família para orgulhar; ou amigos e colegas para compartilhar as alegrias e histórias... e principalmente aprová-las.
E quando essa aprovação não vem?
Já falei bastante sobre essa validação externa por hoje e acredito na importância dela, mas também não podemos ficar amarrados apenas a essas validações, precisamos ser capazes de criar autoconfiança e nos aceitar genuinamente. Como vocês já devem ter percebido eu sou fã da mudança e esforço interior, e acredito que além do nos encontrar, o aceitar é muito importante, e essa é a lição que estou tentando aprender esse ano: a de me aceitar mais e não ter vergonha de fazer aquilo que tenho vontade.
Apesar de saber que o mundo externo tem um bom peso em nosso comportamento, nosso interior também é fundamental... muitas vezes nós mesmos somos os responsáveis pelo medo de falhar, medo de rejeição, e acabamos sendo nossos piores inimigos pois nos julgamos de maneira que ninguém mais julga. Nós nos criticamos e somos os principais causadores dos nossos bloqueios, e por isso que precisamos entender que apesar de precisarmos dessa validação externa, nós também precisamos trabalhar o interno... é um trabalho em conjunto.
Enfim, trouxe essa reflexão hoje pois ainda tenho muitos bloqueios e inseguranças que tornam coisas simples mais difíceis. Mas estou decidida a mudar pois eu não quero olhar para minha vida, e ficar remoendo coisas que eu nunca fiz por medo de falhar e falta de coragem por causa do julgamento alheio ou falta de validação.
E não quero que vocês deixem isso acontecer também, então em resumo, gostaria de ressaltar esses dois pontos:
1. Validações e incentivos são realmente importantes. Então, valide e elogiem os que estão ao seu redor. (Claaaaro que também não vamos ser hipócritas e sair elogiando todo mundo mesmo sem gostar das coisas.)
2. Comece o processo de se aceitar hoje, construa sua autoconfiança... no seu tempo.
Dica: Estabeleça metas e encontre o caminho que o deixará confortável a segui-lo. (No meu caso, comecei com esse sitezinho para ir me encorajando a dar sequência nos outros projetos, como podcasts, vídeos e até mesmo uma lojinha. Eu nunca conseguiria começar direto com a gravação de vídeos, por exemplo.)
Por fim, só mais uma mensagenzinha...
Sei que é difícil se expor, se tornar vulnerável ou receber críticas, mas se a gente não tentar, nada vai ser feito. E o tempo vai continuar passando e no fim, vão restar apenas grandes arrependimentos.... remorsos de tudo que não foi feito, dos sonhos não realizados, e esses são os piores que podem existir. (Fotinho clichê para encerrar...)

Espero que tenham gostado, e mais uma vez, muito obrigada por todo apoio que tenho recebido. Amei/ estou amando demais toda essa validação!
Te vejo em breve...







Sei que aqui não é um muro de lamentações, mas sei bem a diferença que faz quando seus atos (ou pelo menos suas tentativas) são "validadas" ou incentivadas por alguém... infelizmente conto nos dedos essas validações. Em todo caso, belo texto e continue publicando =)