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A Hora é Agora!

Quero começar esse texto com algo que eu li e achei que se encaixa muito com o que eu quero falar nesse post e o que estamos vivendo. Era mais ou menos assim:


“E se 2020 não fosse o ano cancelado como falamos...

E se 2020 fosse o ano que estamos esperando há algum tempo,

Um ano tão desconfortável, tão sofrido, tão assustador...

Que finalmente nos força a crescer... a mudar.

Um ano que nos deu um susto tão grande, que finalmente acordamos da ignorância.

Um ano que finalmente aceitamos a necessidade da mudança... e ser a mudança!

Enfim... 2020 não é um ano cancelado... e sim, o ano mais importante de todos!!!"



Acordando da ignorância


2020 foi a pausa que a gente estava esperando para refletir... 2020 está trazendo à tona assuntos que estavam adormecidos por algum tempo. Assuntos que na verdade sempre estiveram lá, mas que nunca questionamos a fundo ou que tínhamos preguiça de discutir. E um desses assuntos é o preconceito.


Todos sabemos o que preconceito é, e muitos de nós adoramos dizer que somos livre dele. Porém, infelizmente isso não é verdade e todos nós temos preconceitos enraizados sim, e o pior é que muitas vezes não nos damos conta. Preconceito não precisa ser apenas sobre raça, gênero, opção sexual, aparência... preconceito pode ser sobre escolhas, comportamentos, enfim, qualquer coisa.


Nós julgamos inconscientemente... involuntariamente... automaticamente. E automaticamente, seguimos o baile com os conceitos que aprendemos, sem pararmos ou refletirmos para entender se é realmente o correto.


Mas qual a explicação disso...Qual a explicação para esses conceitos enraizados que nos tornam tão preconceituosos?


Uma possível explicação...


Buscando uma ajudinha na ciência, estudos mostram que realmente preferimos aqueles que são parecidos conosco ou tem opiniões parecidas com as nossas. E podemos confirmar isso, estamos sempre procurando algo em comum, uma conexão, algo que nos permita criar laços uns com os outros. Isso tem a ver com o chamado viés inconsciente, e todos nós o temos. “Ele é um conjunto de estereótipos sociais, sutis e acidentais que todas as pessoas mantêm sobre diferentes grupos de pessoas. É o olhar automático para responder a situações e contextos para os quais você é treinado culturalmente, como uma programação do cérebro.” (https://bityli.com/i17yB)


Como sabemos, nosso cérebro opera em duas maneiras. Ele pode pensar devagar e rápido (automaticamente). O pensar devagar é geralmente utilizado para grandes decisões... quando paramos tudo e refletimos sobre certas coisas. Por exemplo, na compra de um apartamento ou até coisas menores, como o planejamento de uma viagem de fim de ano. Enfim, esse não é o foco.


O foco e o perigo estão no pensar rápido... onde agimos no automático. Esse agir no automático nos faz basear nossas escolhas em julgamentos intuitivos que são processados ligeiramente pelo cérebro. São como atalhos que a mente usa por ser mais fácil.

E eu disse que aí está o perigo pois costumamos tomar decisões ou julgar baseadas nessas associações. Associações com memorias antigas, conceitos antigos, filmes, seriados, conversas... enfim, qualquer coisa que faça tua cabeça criar essas informações ou conceitos.


A nossa mente brinca muito conosco, e ela nos faz de besta sem que percebamos. Por isso que eu disse, não adianta falarmos que somos evoluídos e sem preconceitos, pois muito disso é coisa do nosso cérebro. Ele tem esse viés inconsciente, é da natureza humana, e apesar de não ser nada embasado em fatos, acabamos sim sendo influenciados pela nossa sociedade e nossa cultura. Acabamos criando discriminações, pois tudo que não se encaixa no nosso mundinho ou com nós mesmos, inconscientemente, de alguma forma, se torna “errado” aos nossos olhos. (Se quiser ler mais sobre esse viés, esse artigo é curto e bem bom: https://www.masterleader.com.br/vieses-inconscientes/).



Às vezes parece que ainda vivemos na Caverna de Platão...


Por mais antiga que seja essa obra (entre 380 e 370 a.C.) é muito curioso como os seres humanos seguem os mesmos... com ilusões, crenças e comportamentos muito similares aos de 2400 anos atrás. Parece até piada, mas infelizmente não é. (Se você não lembra do conto, relembre aqui: www.estudopratico.com.br/mito-da-caverna-de-platao/amp/).


Realmente vivemos em um mundo onde acreditamos nas ilusões criadas por nós mesmos, onde limitamos a nossa realidade. Acreditamos somente que a nossa realidade é correta e é isso. Não gostamos de questionar nada e o diferente não nos agrada.


Vivemos no meio dessas crenças, pensamentos e conceitos enraizados que se tornam preconceitos. E quando nos deparamos com algo fora do nosso “normal” automaticamente julgamos. E isso era o que acontecia com os prisioneiros do conto:


“... os prisioneiros por não vislumbrarem uma realidade que não aquela a qual presenciavam de dentro da caverna debochariam do amigo recém-voltado, acusando-o de louco e provavelmente o ameaçando caso não parasse de dizer coisas por eles acreditadas insanas.”


E é real, seguimos boa parte da nossa vida acompanhando o rumo imposto pela sociedade, sem ao menos questionar se é correto. Sem questionar, tentamos ser bons em matemática, português, química e física, fazemos uma faculdade, arrumamos emprego (que muitas vezes nem gostamos), e “seguindo o fluxo normal”.


Sem perceber, caímos na cilada de acreditar apenas nos valores que a sociedade nos passou, passamos a aceitar e seguir esse “fluxo normal” como se fosse a regra ou verdade absoluta. Acreditamos que após formatura e com emprego, devemos adquirir nossa casa e carro próprio, começar uma família... etc.


Isso é muito curioso, pois muitos de nós, nem questionamos se essa realidade é a ideal. Apenas seguimos como nos foi dito. Aquilo que foi passado de geração em geração, ou pela mídia, ou pelo meio em que vivemos. E caso vemos alguém não seguindo pelo mesmo caminho... já julgamos inconscientemente. Por exemplo, se vemos aquele amigo que largou a faculdade para tentar uma carreira mais alternativa (como por exemplo jogador de poker), já criticamos. Se alguém decide ter uma beleza ou estilo diferente do padrão estipulado, já pensamos que essa pessoa está “querendo aparecer”.


Tudo é motivo de críticas e tudo é criticado se não estiver enquadrado dentro do esperado. Esses comentários negativos muitas vezes acabam afetando o nosso psicológico, e realmente acabam travando nossa criatividade... travando nosso próprio desenvolvimento e o dos outros.

Infelizmente há anos estamos vivendo nessa caverna onde a fogueira é a nossa sociedade, a tv, a mídia... enfim tudo aquilo que nos faz criar essas ilusões. E os prisioneiros somos nós.


E aposto que quando lemos esse conto, achamos os prisioneiros ignorantes e até temos agonia por eles não acreditarem que existe essa outra realidade. Mas isso é fácil para nós agora, pois sabemos que essa realidade existe. Entretanto não nos damos conta que vivemos exatamente isso, só que considerando realidades diferentes. Onde temos o nosso mundinho, nossas ilusões, nossos conceitos.


Vivemos em uma sociedade, em um mundo que realmente julgamos tudo que é diferente do que nos foi dito ou que não está de acordo com nossas crenças. Não tentamos nem ao menos entender a realidade do próximo.



Fonte: @wagner_cc


Somos egoístas. Somos influenciáveis. Somos preconceituosos, céticos...até que nos provem ao contrário... não é mesmo? Não gostamos de certa roupa, até virar a última moda ou saber que é da marca tal. Não gostamos de certa profissão nova, até o cara ir lá e ser bem sucedido. Enfim...temos preconceito contra pois não gostamos de pensar, refletir... de usar nossa inteligência!


Seja Inteligente!!!


Como disse, muitos conceitos e ideias estão definidas em nosso subconsciente, e por mais mente aberta, evoluídos e sem preconceitos que achamos que somos, na verdade acabamos vítimas desse viés inconsciente. Somos escravos da sociedade, escravos de um preconceito que as vezes não percebemos, escravos da nossa cultura enraizada que acaba afetando nossas vidas negativamente, impedindo que criemos nossa própria realidade tranquilamente.


E isso é outra lição importante. Não deixe que o medo de ser julgado te impeça de criar tua própria realidade. Essa lição eu estou tentando aprender também. Não sei se é pelo fato de vir de uma cidade pequena (e todo mundo saber da vida de todo mundo), mas eu tive algumas repressões ao longo da vida que me afetaram. Eu morria de vergonha de “ficar” com alguém ou até falar que achava alguém bonito (que bobinha né?!) E pior que esse meu “travamento” nem veio pela minha família, nem sei de onde veio na verdade, mas no fundo eu sabia o que as pessoas iriam comentar... (Claro que eu não deixei de agitar ou fazer as coisas que tinha vontade, mas eu ficava sem graça.)


E como eu disse no post anterior, por mais superiores que gostaríamos de ser... muitas vezes não conseguimos nos desprender completamente disso, e acabamos vítimas de uma sociedade maldosa... nos tornamos repreendidos, perdemos nossa liberdade de expressão, pois temos medo de certos comentários. E pior, sem perceber, nos tornamos essa sociedade maldosa... que julga...que olha meio torto se o outro é diferente.

Apesar de entender que comentar e falar da vida alheia acaba sendo meio que natural do ser humano, precisamos ter cuidado. Eu adoro perguntar, e como está fulano, e ciclano... e fulaninho??


Mas não para julgar, nem nada... só por curiosidade mesmo. E curiosidade é natural. Gostamos de saber o que acontece com os outros, histórias (Não é por menos que o Brasil é o país das novelas né). Amamos ter um assuntinho novo para começar um papo na hora do mate. Só que as vezes, tem gente que se empolga e acaba soltando uma pitadinha de veneno. Às vezes, no embalo da conversa... a gente fala coisas que nem acreditamos que sejam verdade, só para interagir, só para não perder uma piada... ou até pelo tal do efeito manada né, se todo mundo está comentando sobre fulana, vou dar uma faladinha também...


Julgamos comportamentos dos outros sem ao menos entender e isso é errado. Mas estamos em um processo de evolução... e é nisso que eu acredito. Precisamos nos tornar melhores e aprender com os erros.

Precisamos ser inteligentes até mesmo porque merecemos ser livres e sem esses bloqueios da sociedade.

Fonte: @quantica_e_espiritualidade


Enfim, vamos mudar o que podemos e ir contra esse fluxo natural... contra esses preconceitos. O primeiro passo é admitir e reconhecer o erro, e o próximo é estar disposto a mudar. Eu por sinal tenho vergonha de certos comentários que já fiz, mas aprendi com isso, e hoje me policio para que isso não aconteça tanto.

Tento evitar certas piadinhas, pois as vezes não percebemos que isso pode causar uma dor forte no outro. Pode ser por piada e até mesmo sem maldade, mas não sabemos de todos os traumas, ou tudo que o outro passou.


Eu por exemplo, sempre fui muito pão dura, e tenho outros mil defeitos, mas quando as pessoas julgavam sem entender meu motivo... isso me deixava triste, me irritava e fazia com que eu me acostumasse a justificar tudo (como eu já falei no outro post). E isso foi um exemplo bem simples para não envolver exemplos mais polêmicos.


E como eu sempre digo, se for para ser construtivo, eu aceito e adoro, mas se eu sentir que é algo que não vai me agregar nada... aí entra por um ouvido e sai pelo outro, pois já aprendi a não dar bola para isso. Mas se fosse antes eu ficaria toda errada, triste... e isso que precisamos levar em consideração antes de abrir a boca. Precisamos ser mais empáticos.


Por fim, a transição...


O mundo está em mudança e estamos recebendo os sinais por toda parte. O mundo está em transição para algo melhor, maior e mais importante. Momentos de transição não são fáceis... eles perturbam, incomodam e até mesmo causam dor. Sabemos a dificuldade da transição da infância para adolescência por exemplo, ou para vida adulta... são os períodos mais difíceis pois são transições.


Mas enfim, no final do ciclo, tudo acaba fazendo sentido e tudo melhora. O difícil é aguentar o processo, essa mudança, mas sei que todos somos capazes.

Só precisamos querer. E eu acredito que a hora de começar é agora... 2020 é a transição para algo melhor.


Vamos aproveitar esse empurrãozinho do universo para realmente entendermos o que se passa no mundo e no nosso próprio mundo ... dentro e fora. Vamos começar a identificar nossos próprios preconceitos sobre as coisas, pessoas ou situações. Vamos estar dispostos a escutar e entender o próximo antes de julgar. Vamos sair da inércia. Sair da caverna de Platão. Vamos ser inteligentes!

E é isso por hoje pessoal,


Boa noite!

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